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Podemos cientificamente nos enganar, mas e daí?
| Eu e meus amigos, para mim, isso é o que vale! |
Ao ler esse artigo que foi publicado na Folha de São Paulo (ver post anterior), veio a minha cabeça algo que no fundo eu já sabia - é claro que existe muita fantasia nas chamadas provas de vinhos. Os chavões que foram criados ao longo dos anos vêm à flora e nos deparamos com um verdadeiro festival de opiniões subjetivas. Entre os não aficionados, “rola” o deboche, muitos tiram verdadeiras “ondas” com o linguajar e a opinião dos enófilos, não é? Quem nunca ouviu alguém brincar – tem cheiro de pasto molhado!
Aí eu pergunto – Mas e daí? Nós enófilos curtimos isso, para uns é um profissão, para outros, como eu, um ‘baita” divertimento. Esse clima que criamos em uma prova de vinhos, nos faz bem e é isso que importa. Se cientificamente não passa de “papo furado”, aqui em nosso metiê isso cria um clima mágico, que nós, adoradores de vinhos, amamos! É certo que alguns exageram, mas na medida certa, faz com que o vinho seja uma bebida única, como costumamos dizer o vinho tem vida e em conjunto com nossas “fantasias” tornam a bebida mítica, que até mesmo o mais cético dos degustadores acaba se dobrando a esse ritual maravilhoso que foi criado ao redor do vinho ao longo de anos.
Por isso pouco me importa se o rótulo do vinho ou a região que ele foi produzido me influencie, para mim o importante é a degustação em si, se minha opinião está repleta de inverdades ou fantasias, vale para mim o prazer de participar de uma prova de vinho em conjunto de amigos que “curtem” a mesma coisa que eu – esse mundo mágico do vinho!
Vinho do interior, nem adianta torcer o nariz.
Por: Ricardo Castanho - Viajeaqui - Abril
Gosto de suco de uva com cheiro de cachorro molhado. Qual o barato, afinal, do nosso vinho “bordô” suave?
A situação beira o constrangimento, mas o dono do lugar parece convicto de que é uma etapa indispensável do passeio. E eu aceito o convite. Subo três degraus de uma escada velha de madeira, espero a remoção da tampa, e, do alto de uma caixa-d'água azul de mil litros, observo a transformação de um mosto de uvas Máximo - cruzamento da americana uva Seibel com a Syrah - em algo que dez entre dez especialistas preferem não chamar de vinho. Na primeira cheiradinha (lá ninguém torce o nariz se você não usar a palavra buquê), um intenso aroma de suco de uva de mesa mesclado ao inconfundível toque de cachorro molhado. O sabor é de suco de uva com álcool e a acidez, além do desejável, mas levantar um debate sobre a qualidade do vinho produzido no interior paulista pode ser temeroso. Afinal, eu faço parte do padrão de gosto minoritário da bebida: mais de 80% da produção do país atende ao paladar dos fãs do "bordô" suave.
Carlos Ferragut, outro grande personagem do meu giro pelo ramal Anhanguera-Bandeirantes do vinho, é um dos milhares de defensores do vinho de uvas americanas em solo brasileiro. Do alto de seus 78 anos, tocando o dia a dia de um parreiral dentro da área urbana de Vinhedo, ele percebeu que suas vendas já não podiam ficar restritas a esses produtos. E engarrafa, meio a contragosto, vinhos com uvas "importadas" da Serra Gaúcha feitos de Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Pinotage. Quando percebo que seu Cabernet Sauvignon é pura expressão da uva, ele não titubeia: "Pra mim, madeira estraga o vinho."
Não muito longe dali, em Jundiaí, os donos da Adega Maziero exibem orgulhosos as matérias de jornais que destacam sua bebida quase santa. Explico: o vinho rosé deles, preparado com uvas de mesa Niagara, foi escolhido por uma junta de religiosos para a missa que o papa Bento XVI realizou em 2007 no Campo de Marte, em São Paulo. Como ainda sonho em chegar ao Paraíso, prefiro omitir minha avaliação do produto.
Por maiores que sejam as ressalvas a esse universo, não deixa de ser contagiante a alegria de produtores e consumidores de vinhos de mesa. A visita às vinícolas do interior paulista é um exercício de humildade para enófilos. Depois de muitas palestras, cursos e degustações da bebida, acredito que, lá no começo, meu avô já tinha adiantado a grande lição: o melhor vinho do mundo é o que mais te agrada. E ponto final.
Gosto de suco de uva com cheiro de cachorro molhado. Qual o barato, afinal, do nosso vinho “bordô” suave?
A situação beira o constrangimento, mas o dono do lugar parece convicto de que é uma etapa indispensável do passeio. E eu aceito o convite. Subo três degraus de uma escada velha de madeira, espero a remoção da tampa, e, do alto de uma caixa-d'água azul de mil litros, observo a transformação de um mosto de uvas Máximo - cruzamento da americana uva Seibel com a Syrah - em algo que dez entre dez especialistas preferem não chamar de vinho. Na primeira cheiradinha (lá ninguém torce o nariz se você não usar a palavra buquê), um intenso aroma de suco de uva de mesa mesclado ao inconfundível toque de cachorro molhado. O sabor é de suco de uva com álcool e a acidez, além do desejável, mas levantar um debate sobre a qualidade do vinho produzido no interior paulista pode ser temeroso. Afinal, eu faço parte do padrão de gosto minoritário da bebida: mais de 80% da produção do país atende ao paladar dos fãs do "bordô" suave.
Carlos Ferragut, outro grande personagem do meu giro pelo ramal Anhanguera-Bandeirantes do vinho, é um dos milhares de defensores do vinho de uvas americanas em solo brasileiro. Do alto de seus 78 anos, tocando o dia a dia de um parreiral dentro da área urbana de Vinhedo, ele percebeu que suas vendas já não podiam ficar restritas a esses produtos. E engarrafa, meio a contragosto, vinhos com uvas "importadas" da Serra Gaúcha feitos de Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Pinotage. Quando percebo que seu Cabernet Sauvignon é pura expressão da uva, ele não titubeia: "Pra mim, madeira estraga o vinho."
Não muito longe dali, em Jundiaí, os donos da Adega Maziero exibem orgulhosos as matérias de jornais que destacam sua bebida quase santa. Explico: o vinho rosé deles, preparado com uvas de mesa Niagara, foi escolhido por uma junta de religiosos para a missa que o papa Bento XVI realizou em 2007 no Campo de Marte, em São Paulo. Como ainda sonho em chegar ao Paraíso, prefiro omitir minha avaliação do produto.
Por maiores que sejam as ressalvas a esse universo, não deixa de ser contagiante a alegria de produtores e consumidores de vinhos de mesa. A visita às vinícolas do interior paulista é um exercício de humildade para enófilos. Depois de muitas palestras, cursos e degustações da bebida, acredito que, lá no começo, meu avô já tinha adiantado a grande lição: o melhor vinho do mundo é o que mais te agrada. E ponto final.
O jeito é não convidar entendidos em vinho para o jantar!
Mario Persona: Todos os dias sigo um ritual de ervas e sangue da terra... muito bom!
Afinal de contas, é difícil aprender a degustar vinhos?
Toda vez que converso com uma pessoa que não conhece nada sobre vinhos, mas que demonstra que adoraria entender um pouco mais sobre eles, digo o seguinte; não é difícil aprender sobre vinhos, saiba sempre que você nunca saberá tudo, mas isso não é necessário para se “divertir” muito com o assunto. Outra coisa que penso é que no mundo do vinho não existe certo ou errado, mas sim, preferências pessoais.
O escritor australiano Max Allen, comparou o aprendizado da degustação do vinho ao de andar de bicicleta. “Aborde o vinho da mesma maneira como se estivesse aprendendo a andar de bicicleta. Primeiro você precisa de coragem, você tem que realmente querer fazer isso. Monte nela, e com direção e paciência, tudo virá junto. Haverá quedas no caminho, mas logo você não precisará de mais qualquer ajuda. Quanto mais confiante você se tornar, mais fácil parecerá. Você conhecerá o seu equipamento e então se perguntará se precisava de tanto espalhafato”.
Diz o especialista australiano em vinhos, Matt Skinner, “as ferramentas que você precisa para aprender a degustar vinhos são atitude, orelhas, nariz, boca e olhos, mais ou menos nessa ordem, juntos esses “equipamentos”, podem construir e desenvolver a sua habilidade de degustação e o seu conhecimento”.
A “atitude” que Skinner se refere é a mesma de “Allen”, primeiro tem que querer aprender sobre vinhos, ir atrás de informações, com a mente aberta. Sempre tente coisas novas e não se esqueça que grandes vinhos estão em todos lugares e por toda a parte do planeta. As orelhas são para sempre escutar ao seu redor, mas tente não ser influenciado demais pelo que as outras pessoas pensam. Sua língua, seu nariz e olhos serão seus guias para “caminhar” pelo mundo do vinho. O desenvolvimento e aprimoramento desses sentidos lhe garantirão sua cultura e opinião sobre todos os vinhos que degustar em sua vida!
Afinal de contas, é difícil aprender a degustar vinhos?

Toda vez que converso com uma pessoa que não conhece nada sobre vinhos, mas que demonstra que adoraria entender um pouco mais sobre eles, digo o seguinte; não é difícil aprender sobre vinhos, saiba sempre que você nunca saberá tudo, mas isso não é necessário para se “divertir” muito com o assunto. Outra coisa que penso é que no mundo do vinho não existe certo ou errado, mas sim, preferências pessoais.
O escritor australiano Max Allen, comparou o aprendizado da degustação do vinho ao de andar de bicicleta. “Aborde o vinho da mesma maneira como se estivesse aprendendo a andar de bicicleta. Primeiro você precisa de coragem, você tem que realmente querer fazer isso. Monte nela, e com direção e paciência, tudo virá junto. Haverá quedas no caminho, mas logo você não precisará de mais qualquer ajuda. Quanto mais confiante você se tornar, mais fácil parecerá. Você conhecerá o seu equipamento e então se perguntará se precisava de tanto espalhafato”.
Diz o especialista australiano em vinhos, Matt Skinner, “as ferramentas que você precisa para aprender a degustar vinhos são atitude, orelhas, nariz, boca e olhos, mais ou menos nessa ordem, juntos esses “equipamentos”, podem construir e desenvolver a sua habilidade de degustação e o seu conhecimento”.
A “atitude” que Skinner se refere é a mesma de “Allen”, primeiro tem que querer aprender sobre vinhos, ir atrás de informações, com a mente aberta. Sempre tente coisas novas e não se esqueça que grandes vinhos estão em todos lugares e por toda a parte do planeta. As orelhas são para sempre escutar ao seu redor, mas tente não ser influenciado demais pelo que as outras pessoas pensam. Sua língua, seu nariz e olhos serão seus guias para “caminhar” pelo mundo do vinho. O desenvolvimento e aprimoramento desses sentidos lhe garantirão sua cultura e opinião sobre todos os vinhos que degustar em sua vida!
O escritor australiano Max Allen, comparou o aprendizado da degustação do vinho ao de andar de bicicleta. “Aborde o vinho da mesma maneira como se estivesse aprendendo a andar de bicicleta. Primeiro você precisa de coragem, você tem que realmente querer fazer isso. Monte nela, e com direção e paciência, tudo virá junto. Haverá quedas no caminho, mas logo você não precisará de mais qualquer ajuda. Quanto mais confiante você se tornar, mais fácil parecerá. Você conhecerá o seu equipamento e então se perguntará se precisava de tanto espalhafato”.
Diz o especialista australiano em vinhos, Matt Skinner, “as ferramentas que você precisa para aprender a degustar vinhos são atitude, orelhas, nariz, boca e olhos, mais ou menos nessa ordem, juntos esses “equipamentos”, podem construir e desenvolver a sua habilidade de degustação e o seu conhecimento”.
A “atitude” que Skinner se refere é a mesma de “Allen”, primeiro tem que querer aprender sobre vinhos, ir atrás de informações, com a mente aberta. Sempre tente coisas novas e não se esqueça que grandes vinhos estão em todos lugares e por toda a parte do planeta. As orelhas são para sempre escutar ao seu redor, mas tente não ser influenciado demais pelo que as outras pessoas pensam. Sua língua, seu nariz e olhos serão seus guias para “caminhar” pelo mundo do vinho. O desenvolvimento e aprimoramento desses sentidos lhe garantirão sua cultura e opinião sobre todos os vinhos que degustar em sua vida!
Escritora lança 'Vinho branco', com prosas concisas e instigantes.
A escritora Belvedere Bruno lançou nessa quarta-feira, o livro “Vinho branco”, seu primeiro trabalho solo, recheado com crônicas e contos. Ela diz que procurou imprimir em seus textos densidade e concisão.— Às vezes, fico 20 dias para escrever um texto de quatro parágrafos. As pessoas acreditam que algo pequeno é fácil de fazer. Mas, é o contrário. Atingir a concisão, com qualidade na escrita, é algo bem difícil — declara a autora.
A busca por personagens peculiares, mas nos quais os leitores possam identificar algo familiar é um dos destaques da escritora.
— Escrevo textos intimistas, com pessoas que podem ser reais, além de questões do dia a dia. Um exemplo é o conto que dá origem ao título do livro, que tem como personagem um homem velho que, apesar de ser chato, ranzinza, turrão e até um pouco mau, é muito cativante — explica a escritora.
Belvedere Bruno nasceu em Niterói/RJ, onde reside. Cedo despertou para as letras, graças ao incentivo do pai, que sempre presenteou os filhos com livros. Atualmente, dedica-se às prosas, gênero onde mais se identifica. Tem várias antologias publicadas, como diVersos - Scortecci, @teneu.poesi@ - Scortecci, Com licença da palavra - Scortecci, O Conto Brasileiro hoje - Volumes VIII, Volume X e Volume XII - RG Editores. Tem publicações em diversos jornais da cidade, assim como em outros estados, e mesmo no exterior.
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