É fácil encontrar artigos e livros com dicas exuberantes sobre vinhos magníficos que custam muito caros! Claro que todos, se pudessem, só consumiriam vinhos do naipe de um Barolo ou um Bordeaux de primeira linha, mas os preços desses vinhos começam em R$ 200,00 e vão a valores altíssimos.
O grande barato de quem curte vinho e tem limitações sobre o quanto gastar com esse prazer, é justamente "garimpar" bons vinhos a valores baixos. Entre R$ 20,00 e R$ 50,00 podemos encontrar vinhos muito bons que certamente surpreenderão até o mais exigente enófilo.

Esse blog visa reunir amigos que gostem de vinhos bons, porém com preços acessíveis. Sugestões, dúvidas e criticas serão sempre muito bem vindas!

Pizzato Merlot 2005, esse vinho conta a história da família do Sr. Plínio.

A vinícola Pizzato localizada no Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves, é de propriedade da família do Sr. Plínio Pizzato, neto do imigrante italiano Antonio Pizzato, vindo da Itália, dos arredores da cidade de Vicenza, Vêneto, e estabelecido em Bento Gonçalves na década de 1880. Desde a chegada da Itália, a família cultiva vinhas e elabora vinho em pequenas quantidades. Por certo período de tempo, produziu quantidades a maior e chegou a comercializá-lo para o hospital da cidade, indicado pelo médico Dr. Valter Galassi como auxiliar no tratamento da febre tifóide. Porém, a maior quantidade do produto era vendida para a Vinícola Brasileira, localizada onde se encontra atualmente a Vinícola Aurora. Os vinhos eram, à época, elaborados a partir da uva Bonarda (uma espécie de Barbera) trazida da Itália pelos imigrantes.

As atividades do imigrante Antonio foram continuadas por um de seus filhos, Giovanni, que, além da atividade principal relacionada aos vinhedos continuou produzindo vinho, mas apenas para consumo da família. A maior parte da produção de uvas passou a ser comercializada para vinícolas da região. Seguindo o caminho do ‘Nono Giovanni’, Plínio Pizzato, o patriarca da família proprietária da Vinícola Pizzato, desde cedo um apaixonado pela vitivinicultura, vem produzindo uvas desde a adolescência. Inicialmente a produção se dava em conjunto com o pai, na propriedade localizada em Monte Belo do Sul e, desde o final da década de 1960, na atual propriedade localizada no Vale dos Vinhedos. Também manteve a tradição iniciada pelo Sr. Giovanni de produzir, com uma pequena parcela das uvas, vinhos para consumo próprio, vendendo a maior parte da produção de uvas para vinícolas da região.

Em 1998-1999, o antigo sonho do Sr. Plínio e família, de produzir vinhos finos para a comercialização, torna-se realidade a partir de um projeto conjunto com os filhos Flavio, Flávia, Jane e Ivo (in memoriam). Naquele ano a Vinícola Pizzato é formada juridicamente e materialmente a partir de investimentos familiares. Estabelecido o negócio e, a partir da produção de uvas de parreirais próprios, inicia-se a vinificação no ano de 1999 com a elaboração do Pizzato Merlot em quantidade final de 15.500 garrafas de 750 ml. Tal produto foi lançado no mercado em Setembro de 2000. Atualmente, a Pizzato cultiva 42 hectares distribuídos em dois vinhedos distintos. O responsável pela elaboração dos vinhos e pela coordenação viti-vinícola é Flavio Pizzato, com formação no Curso Superior de Tecnólogo em Viticultura e Enologia, além de estágios e aperfeiçoamento técnico em Bordeaux, Alentejo e Mendoza.

O vinho mais premiado da Pizzato é sem dúvida o Merlot; vamos falar um pouquinho sobre ele. Elaborado a partir de uvas selecionadas de vinhedos próprios, esse Merlot tem cor rubi com reflexos púrpura. Apresenta aromas de frutas vermelhas, especiarias e uma nota leve de chocolate. Equilibrado, de corpo médio, taninos bem macios e final ligeiro. Esse vinho estagiou por 5 meses em barris de carvalho americano.

Ultimamente tenho provado bons vinhos brasileiros e esse aqui é um exemplo disso. Não sou muito devoto da casta Merlot, não me pergunte o motivo, pois não tenho, é apenas mais um de meus paradigmas que tenho de desfazer. Mas esse vinho fez bonito com as pessoas que o degustaram, harmonizou bem com o prato, um penne tricolore com cubos de filé ao molho de tomates frescos e ervas finas. Seu preço vem dentro do padrão dos vinhos brasileiros, em torno de R$ 28,00; depois da alta do dólar, que refletiu mesmo nas prateleiras de meados de janeiro para cá, os “brasuca” se tornaram mais competitivos; o preço é justo por esse bom vinho!

Bomba para retirar ar da garrafa realmente funciona?

Renato Machado respondeu essa pergunta em seu programa diário "Momento do Brinde" na rádio CBN, Clique abaixo e escute seu comentário na integra. Particularmente tenho a mesma opinião do Renato, comprei uma bomba Vacuvin e a utilizei algumas vezes, em 100% notei uma deterioração marcante no vinho, principalmente quando o deixamos de um dia para o outro. Não é que o vinho se torna “intragável”, mas em vários aspectos as diferenças são enormes, principalmente quanto aos aromas. Para mim a melhor opção é não utilizá-la, mas é claro, se não houver outro jeito o uso da rolha especial que vem junto com o Vacucin será melhor do que deixar a garrafa com a rolha original.

Sem segredos, as 24 faces do vinho.

Mais um livro da editora Larousse do Brasil voltado para o mundo do vinho, "Sem Segredos", do australiano Matt Skinner. No livro o sommelier celebra o vinho e todas as etapas que estão envolvidas na sua fabricação. Skinner divide o processo produtivo do vinho em 24 etapas, que ele denomina as vinte e quatro faces do vinho, incluindo todas as pessoas que participam do processo, desde o cultivo das uvas até o momento de levá-lo à mesa.

Longe de ser um guia, "Sem Segredos" vai fundo para mostrar como se entreter com o vinho oferecendo pontos de referências memoráveis que permitem ao leitor manter uma conversa inteligente seja com um sommelier, com um vendedor de vinho ou mesmo durante um jantar despretensioso.

Quem assina o prefácio do livro é o chef de cozinha britânico Jamier Oliver, personalidade da TV local que classifica o livro como um marco importante na atual cena gastronômica mundial. "A linguagem acessível, com uma pitada de diversão, é o principal diferencial de Matt. Mas, ele também mostra como você pode tirar mais proveito e prazer do vinho, tendo um pouco mais de conhecimento sobre o assunto quando for comprar a sua próxima garrafa".

Editora: Larousse do Brasil
Autor: Matt Skinner
1a edição, 2008 - 176 pág.

Maminha em cubos com especiarias.

Já que citei a maminha em cubos com especiarias no post do vinho Don Pascual, segue aqui a receita detalhada, espero que gostem!



Tempo de preparo: Rápido (até 30 minutos)
Rendimento: 8 porções
Nível de dificuldade: Fácil
Categoria: Carne
Calorias: 382 por porção



Ingredientes
· 50 g de margarina
· 3 colheres (sopa) de azeite
· 1 cebola fatiada
· 1 kg de maminha cortada em cubos
· 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
· 2 folhas de louro
· 100 ml de vinho tinto
· 1 e 1/2 xícara (chá) de caldo de carne
· 4 cravos
· 1 pedaço de canela em pau
· 4 grãos de pimenta Jamaica moídos grosseiramente
· 6 grãos de pimenta do reino moídos grosseiramente
· 1 colher (café) de noz moscada ralada
· 1 colher (chá) de coentro em grãos

Modo de preparo
Em uma panela, derreta a margarina com o azeite e refogue a cebola. Acrescente os cubos de maminha e aos poucos polvilhe a farinha de trigo, mexendo sempre. Junte o louro, o vinho, o caldo de carne e as especiarias.

Cozinhe por 30 minutos ou até a carne ficar bem macia. Acrescente sal a gosto. Sirva em seguida com ervilhas tortas passadas na manteiga.

Don Pascual Tannat 2007, um vinho bem barato.

Antes de ser propriedade da família Deicas, as terras do Establecimiento Juanicó passaram por vários proprietários. Entre eles se inclui Don Francisco Juanico, que em 1830 rompeu com a tradição da área de pecuária, e construiu uma adega subterrânea que permitia produzir vinhos de alta qualidade. Quase um século e meio mais tarde, em 1979, nas mãos de Juan Carlos Deicas iniciou-se um forte investimento em novas tecnologias. Até que em 1996 nascia o Don Pascual em homenagem a Don Pascual Harriague, que introduziu a uva Tannat no Uruguai. Hoje é um dos vinhos uruguaios mais vendidos no mundo.

O Don Pascual Tannat apresenta cor rubi intensa com reflexos púrpura. Aroma de frutas negras, ameixa e figo. Corpo médio, boa acidez, taninos bem duros, um pouco adstringente, final ligeiro. Um vinho bem simples, mas que bem harmonizado, irá “redondo”, acompanhou muito bem uma maminha em cubos com especiarias (pimenta Jamaica, noz moscada, canela em pau, coentro em grão e cravo), ou seja, carnes com temperos marcantes.

A melhor parte fica por conta do preço, encontrei por R$ 16,50. Levando em consideração esse custo o Don Pascual se valoriza muito, deixando-o respirar por uns 30 minutinhos antes de servir e harmonizando direitinho, ele não fará feio!

Three Steps Shiraz Premium 2006, vale conhecer!

A vinícola Hope Estate, com cerca de 100 hectares de vinhedos, localiza-se nas proximidades do povoado de Broke, em Lower Hunter Valley. Foi criada em 1994 pelo farmacêutico Michael Hope, que abandonou sua profissão para dedicar-se inteiramente aos vinhos. Hunter Valley é a mais antiga região vinícola da Austrália, sendo que as primeiras vinhas foram plantadas em 1820 e a Shiraz, uva emblemática do país, teve seu primeiro pé plantado ali em 1832. Os pioneiros encontraram um clima similar ao sul da França, perfeito para o crescimento das uvas. O clima moderado e solos ricos são ideais para cepas como Semillon, Verdelho, Chardonnay, Shiraz e Merlot. A empresa também possui vinhedos nos Estados de Victoria e Western Australia. Recentemente Michael adquiriu a vinícola Rothbury Estate, em Pokolbin, mudando para lá suas instalações. Ele pretende dar continuidade à tradição dos legendários fundadores de Rothbury, Lens Evans e Murray Tyrrell.

O Three Steps Shiraz Premium é um dos vinhos mais exportados dessa vinícola. Sua cor é rubi intenso com reflexo púrpura. Aroma de ameixas e amoras, notas de chocolate proveniente da madeira são bem perceptíveis, esse vinho estagiou por 12 meses em carvalho americano. Corpo médio, acidez boa e taninos bem macios. Um vinho complexo e equilibrado, apenas uma ressalva ao seu leve final.

Outro aspecto a ser abordado é a grande diferença que percebo entre a Shiraz australiana e a Syraz francesa, cabe aqui um prova comparativa que pretendo realizar em breve. Quanto ao preço do Three Step, comprei em promoção por R$ 47,00; por se tratar de um vinho australiano, o preço é justo, considero muito interessante esse contato com vinhos das mais diversas regiões do mundo, agora se compararmos a outros chilenos ou argentinos, iremos certamente encontrar vinhos melhores por preços mais baixos.

Banca do Ramon, comprar vinhos e passear no Mercado Municipal de São Paulo.

Rua da Cantareira, 306 - Centro
São Paulo - SP
Cep: 01103-201
Tel: 11 3228-1309 e 3228-4622
www.bancadoramon.com.br

A Banca do Ramon é uma das pioneiras do Mercadão, onde está desde que o imponente edifício da Rua da Cantareira foi aberto ao público, no ano de 1933. A banca é uma das mais conhecidas e procuradas do Mercado Municipal Paulistano, lá você encontra absolutamente tudo que um gourmet sonha encontrar num empório, inclusive vinhos. São mais de 4 mil itens, dos mais variados tipos e procedências, escolhidas a dedo por Aldemir Abdala, o proprietário, que, por conta do nome da banca, acabou sendo chamado de Ramon por quase todo mundo.

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Casa de Santa Vitória Tinto 2006, potente e aromático!

Fundada em 2002, a Casa de Santa Vitória é uma empresa do grupo português Vila Galé focada na produção e comercialização de vinhos. Em sua primeira fase foram plantados na Encosta, na Albernoa e na Juliana que ficam situadas na Herdade da Malhada, em Santa Vitória, cerca de 127 ha. de vinhas de castas portuguesas e francesas.Também foi dado início a um arrojado e moderno projeto de construção de uma adega com uma área bruta de cerca de 5.000 m2, em 3 pisos, onde os visitantes podem acompanhar toda a produção e provar os vinhos da "Casa".

O vinho que destaco é o Casa de Santa Vitória Tinto, elaborado com as castas Touriga Nacional, Trincadeira, Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon. Estagia por 9 meses em barricas novas de carvalho francês (80%) e americano (20%), seguido de uma ligeira filtração antes do engarrafamento. Armazenado na garrafa por mais 6 meses antes de ser liberado.

Esse vinho apresenta cor rubi intensa. Aroma marcante de frutas negras, ameixa e groselha com notas de especiarias e baunilha. Na boca é encorpado, taninos macios com final longo. Sem duvida as características da Touriga Nacional se sobrepõem as demais. Seu preço é de R$ 50,00; para quem procura um vinho potente e aromático para harmonizar com carne vermelha assada e bem condimentada está perfeito, o preço será justo.

Toda mini-adega climatizada deveria ter duas portas.

A adega climatizada para vinhos da Eletrolux, modelo ACD28, possui dois compartimentos com controle de temperatura individual, permite que diferentes tipos de vinho sejam armazenados na temperatura certa. O compartimento superior, ideal para os vinhos brancos acomoda até 10 garrafas e o inferior mais propício para os tintos comporta mais 19 garrafas. Sua temperatura pode ser regulada entre 5oC e 18oC. Seu painel eletrônico vem equipado com touch control que permite um controle mais preciso da temperatura e LEDs que indica qual tipo de vinho ideal para a temperatura selecionada. Possui porta de vidro duplo que protege os vinhos de radiações que podem deteriorá-los. O sistema de iluminação interna também utiliza LEDs que devido sua pequena emissão de luz não degradam as características originais do vinho. Suas prateleiras são removíveis e deixa os vinhos na posição ideal. Muito bonita e elegante, ocupa um espaço pequeno e armazena até 29 garrafas, ideal para quem está iniciando no mundo do vinho.

Montado 2007, um JMF de aromas agradáveis.

A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de vinhos de mesa e moscatéis em Portugal. A família Soares Franco, proprietária da empresa há 170 anos, tem assumido um papel determinante no setor vinícola português. Com mais de 650 hectares de vinhas, repartidos entre a Península de Setúbal, Alentejo e o Douro. Conta com um moderno centro de vinificação com uma capacidade de 6,5 milhões de litros, que permite a José Maria da Fonseca ter uma grande variedade de vinhos e também manter e garantir uma qualidade sustentável no estilo de seus vinhos.

A compra da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes em 1986 veio concretizar um sonho antigo da família Soares Franco, produzir vinho do Alentejo numa propriedade carregada de prestígio (continua mítico o José de Sousa tinto de 1940) e de história (se produz vinho nessa vinícola desde 1878), utilizando métodos tradicionais de vinificação. O Montado foi produzido pela primeira vez na vindima de 1991, mantendo hoje a sua composição origina.

As castas que compõem o Montado são a Trincadeira (42%), Aragonês (31%) e Syrah (27%). Estagiando 3 meses na madeira, carvalho francês de segundo uso. Tem cor Rubi com reflexos púrpura. Aromas de frutas (ameixa e amora) e florais (violetas), com notas de baunilha. Corpo leve, equilibrado com taninos suaves, seu final é curto. Destaco nesse vinho os aromas agradáveis. Um vinho simples que deve ser consumido jovem. O preço normal do Montado é R$ 25,00, mas o encontrei em promoção no Pão de Açúcar por R$ 18,00; nessa condição vale a pena, por 25 eu escolheria outro vinho.

Cabriz Colheita Seleccionada Tinto 2005, um “xadrez” de castas portuguesas.

A Dão Sul é uma empresa fundada em 1990 que tem como base da sua formação a paixão pelo vinho e a confiança no enorme potencial da região do Dão pelos seus fundadores. A Quinta de Cabriz, uma propriedade próxima de Carregal do Sal, com uma magnífica casa senhorial e capela do séc. XVII, é hoje em dia uma das principais promotoras do desenvolvimento da região. Obtendo sucesso com os primeiros vinhos, a Dão Sul avançou passo a passo até a concretização, em 1998, do seu mais ambicioso projeto: a construção de um grande complexo vitivinícola, onde se conjugam de forma harmoniosa os vinhos de qualidade e o turismo. Sua produção de vinhos se realiza numa adega concebida de “raiz” equipada com o mais moderno equipamento de vinificação, integrada numa unidade que dispõe igualmente de caves de estágio para barricas de madeira, garrafeiras, laboratório e sala de provas. Um de seus carros-chefes é o Cabriz Colheita Seleccionada Tinto.

O Cabriz tinto tem seu corte com as castas Tinta Roriz, Alfrocheiro e Touriga Nacional. A Tinta Roriz é suave, macia e fácil de beber. A Alfrocheiro é aromática, tem boa cor e torna os vinhos elegantes. E a Touriga Nacional é complexa, apresentando concentração e acidez mais elevadas e taninos firmes. O vinho estagia por 6 meses em barricas de carvalho francês de segundo uso.

Cor rubi brilhante. Aromas de frutas vermelhas, especiarias e chocolate. Corpo médio, taninos macios, seu retrogosto é agradável e de boa persistência. Esse vinho é muito gostoso, revela boa estrutura e elegância. Seu preço está em torno de R$ 24,00, nessa faixa de preço e com a qualidade que apresenta, considero o Cabriz um verdadeiro best buy!

“O livro do vinho”, Mais um essencial.

"O Livro do Vinho" escrito pelo sommelier francês Vincent Gasnier, é um guia de degustação com orientações sobre os melhores vinhos de cada categoria, entre as muitas variedades, e explica em detalhes para os apreciadores, como escolher bons vinhos, como analisar a cor, o aroma e também o paladar. O autor revela que ao escolher os 220 vinhos que ocupam as páginas deste livro, teve em mente um leitor curioso e um degustador arrojado para traçar o estilo particular de cada um. Além da classificação dos vinhos, que não estão agrupados por uvas ou região, e sim por categorias, como brancos leves e refrescantes, tintos vibrantes e frutados, roses e espumantes. Vincent ensina ainda como harmonizar os diversos estilos de vinho com comida e dá dez dicas para fazer as melhores combinações, além de exercícios para treinar o paladar. Neste capítulo, por exemplo, é possível aprender que pratos condimentados precisam de vinhos refrescantes. O livro apresenta ainda um "Guia do Usuário" com informações sobre compra, armazenamento, envelhecimento da bebida e até a temperatura certa para servir.

Vincent Gasnier é um jovem sommelier francês que hoje trabalha na Inglaterra e ascendeu rapidamente em sua profissão. Em 1997, com 22 anos, Vincent recebeu a qualificação de Master Sommelier, sendo a pessoa mais jovem em todo o mundo a receber tal distinção. Depois de um período como chef-sommelier no Hotel du Vin, em Wiinchester, estabeleceu seu próprio negócio, que oferece consultoria a compradores de vinho, administração de adegas, eventos vips relacionadas a vinho e tours vinícolas exclusivos. Presta serviços a muitos clientes individuais e corporativos de renome, entre eles o Parlamento Britânico, em Londres. É também crítico em degustações e figura constante em revistas e programas de televisão. Já lançou a série Guia Top 10 Vinhos Canadá e Estados Unidos, França e Itália, todos publicados pela Publifolha.

Editora: Publifolha
Autor: Vincent Gasnier
1a edição, 2008 - 352 pág.

Algumas castas tintas portuguesas.

Aragonês/Tinta Roriz: casta tinta de grande nobreza e de extraordinária qualidade, para atestar esse fato, essa uva marcar presença em dois vinhos míticos produzidos na Península Ibérica: o português Barca Velha e o espanhol Vega Sicilia. Com a designação Aragonês, já é conhecida e cultivada há séculos nas terras do Alentejo. Em bons anos, produz vinhos encorpados e muito aromáticos. Os aromas da casta, finos e elegantes, sugerem pimenta e flores silvestres. Tem boa capacidade produtiva e é indispensável na elaboração de vinhos do Porto de qualidade. A produção de vinhos varietais, tem dado bons resultados, designadamente na região do Dão.

Castelão: a casta tinta mais cultivada em Portugal. Tem um grande poder de adaptação a diferentes condições climáticas, o que lhe dá uma notável versatilidade e permite aos enólogos elaborar vinhos muito distintos, poderosos e intensos tintos de guarda. Adapta-se melhor às terras da Península de Setúbal, de onde saem os vinhos mais carnudos e intensos, com aromas de frutos vermelhos e plantas silvestres, que se integram bem com a madeira de carvalho francês.


Touriga Franca: mais conhecida por Touriga Francesa, é a casta tinta mais cultivada na região onde se produzem os vinhos do Douro e do Porto. Amiga do viticultor, é de cultivo fácil, pouco sujeita a doenças e tem boa capacidade produtiva. Apresenta aromas finos e intensos, com notas de frutos pretos e flores silvestres, a que se juntam um bom corpo e cor. É uma das castas utilizadas na elaboração dos vinhos generosos durienses, associada a outras castas nobres da região, como a Tinta Roriz e a Touriga Nacional. Mas tem também capacidade para se afirmar por si só, como provam algumas experiências bem sucedidas de vinhos varietais.

Touriga Nacional: foi, em tempos atrás, a casta dominante na região do Dão e a responsável quase exclusiva pela fama dos seus vinhos. É, hoje, uma das mais utilizadas no Douro e tida como uma das mais nobres castas tintas portuguesas. A Touriga Nacional dá vinhos encorpados, poderosos e com excepcionais qualidades aromáticas. Tem frequentemente notas de amora, mirtilo, esteva e rosmaninho. Sua fama tem vindo a espalhá-la por quase todas as regiões vitícolas, do extremo Norte até ao Algarve, despertou também a curiosidade de viticultores estrangeiros. Envelhece bem e ganha em complexidade aromática com estágio em madeira de carvalho.

Trincadeira/Tinta Amarela: uma das castas portuguesas mais espalhadas pelo território. As suas qualidades revelam-se, contudo, em zonas quentes, secas e de grande luminosidade, adaptando-se muito bem ao interior alentejano. É uma casta difícil, de produtividade irregular e muito suscetível a bolores nefastos, mas, nos melhores anos, dá origem a grandes vinhos. Tem uma excelente acidez, taninos suaves e abundantes e aromas intensos de ameixa e amora, resultando em vinhos elegantes e equilibrados. No corte da Trincadeira com outras castas, como a Aragonês ou a Touriga Nacional no Douro, resultam vinhos de grande qualidade.
Fonte: Vini Portugal e Ministério da Agricultura de Portugal

Rio Sol Cabernet Sauvignon/Syrah 2006, um brasileiro barato!

Continuando nos brasileiros; por mais incrível que possa parecer eu ainda não havia degustado o Rio Sol, mas finalmente chegou à oportunidade. Vamos falar um pouquinho sobre ele então.

A ViniBrasil foi o resultado de uma sociedade entre a Expand e a portuguesa Dão Sul. A Expand, empresa especializada em importação de vinhos e a Dão Sul que produz vinhos nas mais importantes regiões de Portugal (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo), juntaram-se para realizar um projeto muito ousado, produzir vinhos de qualidade em uma vinícola situada no nordeste brasileiro, próxima a cidade de Petrolina, onde possuem dois mil hectares, dos quais 300 estão em plena produção. No ano passado a Dão Sul adquiriu a parte da Expand ficando sozinha nesse projeto audacioso, mas que vem apresentando bons resultados.

O grande responsável por esses resultados é o Rio Sol, produzido na latitude 8 sul, algo até então visto com extrema desconfiança. Com uma combinação de Cabernet Sauvignon (50%) e Syraz (50%). Cor rubi brilhante. Aroma de frutas vermelhas e notas de especiarias. Na boca é redondo, fresco, a acidez é viva e com taninos macios. O vinho é equilibrado e bastante agradável ao final.

Levando em consideração seu preço, encontrei em promoção por R$ 14,80 na Expand, posso afirmar que é uma boa relação custo/benefício, principalmente se lembrarmos que preço baixo não é o forte dos vinhos brasileiros, mas “veja bem” não vá esperando um super vinho, o Rio Sol é apenas bom.

RAR Cabernet Sauvignon/Merlot 2004 da Miolo, um vinho potente.

O RAR da Miolo é um vinho elaborado com uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, cultivadas em vinhedos localizados na região dos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul. A altitude de 1.000 metros proporciona um clima frio, que faz com que haja grandes variações de temperatura entre o dia e a noite, propiciando uma maturação lenta das uvas com alta concentração de cor e taninos. Os vinhos são envelhecidos em barricas novas de carvalho americano, separadamente o Cabernet Sauvignon do Merlot, por um período de 10 meses. Depois é realizado o corte e logo o vinho é engarrafado, permanece envelhecendo na própria garrafa por mais um ano antes de ser comercializado.

Cor rubi intensa com reflexos púrpura. Aroma complexo de frutas negras, ameixa, chocolate e da madeira provinda do envelhecimento. Encorpado com taninos marcantes, apresentando uma leve adstringência, com um final bem prolongado.

Um vinho potente, mas gostoso, que pode ser guardado por um bom tempo. Cuidado na harmonização, para mim vai bem apenas com carnes vermelhas, mas claro, isso é uma questão bem pessoal. É aconselhável que o vinho respire ao menos 30 minutos antes de servir. Seu preço também é “potente”, na loja própria da Miolo está R$ 48,00, mas vale!

Frases sobre o vinho.

"Agora que a velhice começa preciso aprender com o vinho a melhorar envelhecendo, e sobretudo, escapar do perigo terrível de envelhecendo virar vinagre." (Dom Helder Câmara)

"O vinho é a prova constante de que Deus nos ama e nos deseja ver felizes." (Benjamin Franklin)

“Tome conselhos com o vinho, mas tome decisões com a água.” (Benjamin Franklin)

"O vinho põe o homem fora de si e dá ao seu espírito qualidades às quais é alheio, quando sóbrio." (Joseph Addison)

"Deus criou a água, mas o homem fez o Vinho" (Victor Hugo)

"A penicilina cura os homens, mas é o Vinho que os torna felizes" (Alex Flemming)

"Comer é uma necessidade do estômago; beber vinho é uma necessidade da alma" (Claude Tillier)

"Cristo não consagrou a água, o leite ou a coca-cola: consagrou o pão e Vinho, como alimentos do corpo e do espírito" (Fernando Sabino)

“O Burgundi faz você pensar besteiras, o Bourdeux faz você falar besteiras e o Champagne faz você fazer besteiras” (Brillat-Savarin)

"Os homens se assemelham aos vinhos: a idade estraga os maus e melhora os bons." ( Marie von Ebner-Eschenbach )

"Nas vitórias é merecido, nas derrotas é necessário" (Napoleão Bonaparte, sobre o champanhe)

“O vinho alegra o coração do homem; e a alegria é a mãe de todas as virtudes." (Goethe)

"O vinho é composto de humor líquido e luz." (Galileu Galilei)

“Uma das desvantagens do vinho é a de dar palavras aos pensamentos.” (Samuel Johnson)

“Quando me mudei para Paris, não entendia nada de vinhos. Dois anos depois, já era capaz de saber se um vinho era tinto ou branco sem ter de prová-lo. Bastava olhar para a garrafa.” (Arthur Buchwald)

“Nunca fiz amigos bebendo leite, por isso bebo vinho.” (Silas Sequetin)